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Um objetivo, três coletivos, um só axé

Geovana Lima 15/02/2026
O maracatu nasce do sonho de apresentar à população as tradições de terreiro, a força do povo negro e as heranças afro-brasileiras que sustentam nossa identidade. Mais que espetáculo, é cultura viva: um movimento de valorização ancestral, educaçao popular e atırmaçao da negritude, que pulsa em cada toque, canto e dança, transmitindo axé, memória e resistência.
Os coletivos Grupo Belas Artes, Inzó de Preto e Barracão de Oxóssi levam para a avenida de Jaguaruana-Ce esse cortejo de permanência e luta. Cada coletivo carrega um eixo simbólico que amplia a narrativa do maracatu:
O Grupo Belas Artes apresenta a presença e a sabedoria dos povos indígenas, reconhecendo a ancestralidade originária que também sustenta nossos territórios e saberes.
O Inzó de Preto traz a força dos Nkisis, reafirmando a tradição bantu e os fundamentos espirituais que alimentam a vida, a cura e a coletividade.
O Barracão de Oxóssi celebra a tradição iorubá com os Orixás, honrando as divindades, a natureza e os caminhos de fé que atravessam gerações.
No cortejo, a presença do Rei e da Rainha simboliza a realeza negra e a memória dos antigos reinados do Congo, reafirmando dignidade, liderança e continuidade histórica. Eles representam a organização política e espiritual do povo preto, evocando respeito, soberania e identidade.
A Boneca Preta, também chamada de calunga, é um dos maiores símbolos do maracatu. Ela carrega a ancestralidade, guarda a memória dos que vieram antes e representa a espiritualidade que protege o cortejo. Sua presença é sagrada: é ela quem guia, abençoa e fortalece o caminhar coletivo.
Assim, o maracatu que ecoa em Jaguaruana é mais que uma apresentação: é um território de memória, resistência e futuro. Um encontro de saberes que reafirma que nossa cultura segue viva, pulsante e em constante movimento.
A seguir, você confere as fotos do Maracatu 2026 — acesse também pelo link disponibilizado logo abaixo.
+FOTOS: https://drive.google.com/drive/folders/1Z0zENNB5poIhMwKO7UoWSoe_qb_E7F1Y</p>
Janeiro de Oxóssi: Entre matas, fechas e saberes

Joelma Cardoso JAN/2026
Janeiro é um mês sagrado nas casas de Umbanda e nas casas de Axé. É tempo de celebrar Oxóssi, o Senhor das Matas, da caça, da fartura e do conhecimento. No dia 20 de janeiro, comemora-se também São Sebastião, santo que faz sincretismo com Oxóssi, o Rei do Ketu, o Orixá de uma flecha só — aquela que não erra o alvo.
De forma tradicional, as casas de Umbanda celebram Oxóssi e os Caboclos e Caboclas, espíritos indígenas que caminham nessa mesma linha de força. É tempo de festa, de fundamento e de devoção, onde se fazem oferendas, se cantam pontos, se dança e se pede fartura ao Senhor das Matas, rogando por sustento, proteção e caminhos abertos.
A festa de Oxóssi é uma celebração de tradição, fé e profunda conexão com a natureza. É momento de agradecer pela caça, pelo alimento, pelo saber e pela sobrevivência em todas as dimensões: física, mental e espiritual. Oxóssi ensina que prosperidade não é excesso, mas equilíbrio.
Nas tradições, brilham o verde e o azul, os pontos cantados cheios de fundamento, as danças firmes e as oferendas simples, feitas com consciência e respeito. Milho, frutas e alimentos naturais simbolizam a abundância que Oxóssi provê. Sem exagero, sem vaidade. Aqui o valor é a simplicidade, a verdade e a raiz.
Este também é um dia de lembrar os ensinamentos ancestrais: observar mais, falar menos e agir na hora certa. Oxóssi não desperdiça flecha nem energia. Ele espera, mira e acerta. Sua sabedoria atravessa gerações, mantendo viva uma espiritualidade que educa, orienta e fortalece.
Okê Arô, Oxóssi!
Inscrições para participar do Projeto Viver, Criar e Transformar

Geovana Lima JAN/2026
O Viver, Criar e Transformar é uma ação educativa e cultural da Casa de Umbanda e Cultura Afro-brasileira Canto dos orixás - Inzó de preto localizado na comunidade Mato Fernandes, Jaguaruana/Ce, criada para acolher crianças e adolescentes por meio da arte, da cultura e da convivência comunitária.
O projeto nasce do compromisso com a formação humana, o fortalecimento da identidade, o respeito às diferenças e a valorização as atividades de lazer.
Para quem é o projeto
O Viver, Criar e Transformar é destinado a crianças e adolescentes da comunidade de Mato Fernandes e do entorno, especialmente aquelas que têm pouco acesso a atividades culturais e educativas contínuas.
Cronograma das ativiades:
15/01/2026 - Circuito Kids às 7h
21/01/2026 - Oficina de Pintura às 7h 30m
28/01/2026 - Cine comunitário às 17h
Local a ser divulgado
IMPORTANTE: Ao inscrever seu filho(a), você autoriza a participação nas atividades culturais e educativas do projeto, sempre respeitando a segurança, o bem-estar e os direitos das crianças.
Dezembro: mês dos encerramentos nas Casas de Axé
Tradicionalmente, o mês de dezembro é marcado pelos rituais de encerramento nas Casas de Axé. Nesse período, sacerdotes, filhos e filhas de santo se reúnem para celebrar o ciclo que se encerra, agradecendo pelas conquistas, pela proteção espiritual, pelo axé recebido ao longo do ano e pelas superações vivenciadas pelo terreiro e sua comunidade.
Essas festividades, que variam conforme a tradição de cada casa, incluem oferendas, toques, cânticos, refeições coletivas e homenagens aos Orixás, Guias e Encantados. Os dias escolhidos pelos dirigentes espirituais não são aleatórios: eles carregam significados específicos, alinhados aos calendários sagrados, às energias regentes do período e aos fundamentos da casa.
Mais do que uma simples celebração, o encerramento de ano nas Casas de Axé representa:
- A renovação das energias — limpa-se o que não serve mais e fortalece-se o caminho para o ciclo que vai iniciar;
- A manutenção da tradição — reafirma-se a ancestralidade, os ensinamentos e a responsabilidade espiritual herdada dos mais velhos;
- A união da comunidade — é um momento de reencontro, partilha, fortalecimento coletivo e acolhimento;
- A preparação para o novo ano — abre-se espaço para os novos projetos, desafios e bênçãos, acreditando que o próximo ano será ainda mais próspero que o anterior.
Assim, as Casas de Axé não apenas se despedem do ano que termina, mas também consagram o tempo, honram seus ancestrais e reafirmam a fé na continuidade da vida, da espiritualidade e do axé que sustenta cada passo.

Toré de caboclo
No dia 15 de novembro de 2025, na cidade de Aracati–CE, foi realizada a segunda edição do projeto Raízes Ancestrais, com o evento intitulado "Toré de Caboclo", organizado por Mãe Rosa de Xangô, sacerdotisa de Jurema e Quimbanda e dirigente da Casa Traçada de Mestra Paulina.
Mãe Rosa vem se destacando pela promoção de ações de valorização da cultura afro-brasileira e pelo compromisso com a preservação dos saberes ancestrais dos povos de terreiro.
Anualmente, com o apoio da Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Cultura, ela desenvolve iniciativas que fortalecem a diversidade cultural, a fé e a memória ancestral de nossa gente.
Eventos como este ensinam e mostram à sociedade que preservar nossa ancestralidade é preservar nossa história. É reconhecer e honrar aqueles que lutaram para que hoje pudéssemos ter voz — sem precisar gritar — para afirmar que somos cultura, que fazemos parte de uma sociedade que tantas vezes tentou nos silenciar, mas que encontra em nós sua maior marca: a resistência.
- Link para ter acesso as fotos do evento: https://drive.google.com/drive/folders/1IqPL7EXX-o0nR4Y-wj7QSp61mtAHaahC</li>
Tradicional Rum de Obaluaê

Francilda Benicio - 01/11/2025 - 12:47pm
É de forma tradicional que o Barracão de Oxóssi localizado no bairro Alto no município de Jaguaruana-Ce que tem como sacerdote Pai Airton, realiza anualmente Rum de Obaluaê.
É comum para adeptos e simpatizantes da religião festejarem anualmente em novembro, mais especificamente no feriado de finados, para o orixá Obaluaê. Ori´xá este que para os brasileiros tem sincretismo com São Roque e São Sebastião.
Obaluaê é conhecido como orixá da doença e da cura. Desde seu nascimento ele enfrentou sofrimento, pois, seu corpo era coberto de chagas e por isso foi rejeitado por muitos. Contudo, Oxalá lhe deu o poder de curar as doença que afligem a humanidade, dessa forma, passou a representar o renascimento, a superação da dor e a transformação através dela. Obaluaê nos ensina que até no sofrimento pode gerar sabedoria e renovação.
